29 junho, 2009

O OLHAR

"O último olhar do condenado não é nublado
sentimentalmente por lágrimas

nem iludido por visões quiméricas.

O último olhar do condenado é nítido como uma
fotografia:

vê até a pequenina formiga que sobe acaso pelo rude
braço do verdugo,

vê o frêmito da última folha no alto daquela árvore,
além ...

Ao olhar do condenado nada escapa, como ao olhar de
Deus

- um porque é eterno,
o outro porque vai morrer.
O olhar do poeta é como o olhar de um condenado...
como o olhar de Deus..."


(Mario Quintana, QUINTANA DE BOLSO.)

Nenhum comentário: